Sobre a Morte e a Vida

a morteSempre quando alguém próximo morre começo a refletir sobre o assunto. Questiono o sentido da vida, a razão de muitas mortes tão prematuras. Doenças, acidentes, assassinatos. Percebo também o valor do tempo, o valor de viver cada dia de uma vez, de me preocupar em ser feliz hoje. Quem coloca a felicidade no futuro pode nunca alcança-la.

Eu já tive medo da morte. Medo de envelhecer sozinho. De não deixar um legado para o mundo, ser esquecido, como se minha vida tivesse sido em vão. A gente tem medo de cada coisa né?

Hoje acredito, por causa do espiritismo , na reencarnação. E que nossa vida é uma escola: estamos na Terra para sermos pessoas melhores, evoluir moralmente. E enquanto não evoluímos o “suficiente” continuamos reencarnando. A ideia de um Deus que nos dá infinitas chances de melhora me parece justa. Em cada vida temos chances diferentes para aprender valores diferentes e tendo sempre o nosso livre arbítrio, onde cada ação tem uma reação – nessa vida ou nas próximas.

Para ser sincero o espiritismo me pareceu uma história de ficção no início. Uma viagem curiosa. Mas tudo que eu aprendi na Igreja Católica não parece também ficção para um Ateu?

Não consigo mais pensar na morte como antigamente. Morrer é seguir para uma nova etapa de uma existência eterna. E o que importa não é a quantidade de anos que se vive, mas sim o bem você fez. Já não tenho mais medo da morte e do tempo. E para a vida procuro dar o melhor de mim e acreditar que o nosso legado é a certeza de ter feito a diferença para o mundo e para mim mesmo.

“Uma existência é um ato. Um corpo – uma veste. Um século – um dia. Um serviço – uma experiência. Um triunfo – uma aquisição. Uma morte – um sopro renovador. Quantas existências, quantos corpos, quantos séculos, quantos serviços, quantos triunfos, quantas mortes necessitamos ainda?” Trecho do livro Nossa Lar

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Sobre o casamento

casamento-gay

Os homossexuais existem. Vão continuar existindo independente da opinião alheia. Casados, solteiros, andando de mãos dadas ou não. Nenhum homossexual se tornou homossexual por causa de exemplo. “Meu pai é gay e eu também quero ser. Fulana é lésbica, que divertido, a partir de amanhã eu quero virar lésbica gente.” Não é assim que funciona.

Não sabemos o motivo de uma pessoa não ser heterossexual como a sociedade espera que seja. Ser gay não é uma opção. A opção que o gay tem é entre ser infeliz fingindo ser hétero, mentindo ou ser feliz procurando alguém para amar. Para quem acredita em Deus – e eu acredito – e se for um pecado amar alguém do mesmo sexo que eu, quem tem que me julgar é Deus. E com ele eu converso toda noite. Ele conhece meu coração e me ama como ama todo mundo. Porque foi assim que me ensinaram. Jesus não veio salvar só uma religião, só um povo, ele veio para todos.

Mas se não sabemos o motivo de uma pessoa ser gay como então podemos julga-la? Condena-la a infelicidade e a marginalidade da sociedade? Como podemos ter tanto ódio dizendo que aquela pessoa quer destruir a família? Eu sou gay e não quero destruir a família, pelo contrário: quero ter a minha família.

Não é melhor uma pessoa casada? Podendo dividir a vida com um companheiro? Qual a ameaça que isso causa para o resto do mundo? Dizer que mais pessoas vão virar gays com essa mudança não tem lógico alguma. Como eu já citei ninguém vira gay por exemplos. Ninguém é gay porque pode ser gay. Gay pode casar, então vamos virar viado. Uhuu! Isso não acontece.

O que pode acontecer – e espero que aconteça – é crianças e jovens que sofrem porque são gays se sentirem mais seguros para buscar a felicidade. Uma minoria que é gay vai continuar gay e a maioria que é hétero vai continuar hétero. Simples assim.

O que deve mudar é o respeito. É entender que todo mundo tem direito a felicidade. É ensinar as crianças a respeitarem as diferenças. Uma criança que conhece e respeita a diversidade não vai se tornar homossexual por causa disso. Vai se tornar um ser humano melhor.

Porque ser gay não muda quem sou. É hora do casamento igualitário.

Onde está o amor?

Onde está o amor? Só vejo ódio.

O medo transformou o amor. O medo do diferente, medo do incompreensível. Você acha que eu também não tive medo? Você acha que quando tinha treze anos e percebi que os meninos me atraiam eu não tive medo? Que não chorei sozinho sem saber com quem conversar?

Você acha que foi fácil ouvir piadas de quem comigo estudava? Questionar a Deus sobre quem eu amava? E me afastaram de Deus quando eu mais precisava. “Pecador”, “antinatural” era o que me falavam.

Mas quando se nasce “diferente”, e Deus é prova de que nasci assim, não por opção, por algum motivo que ainda não entendo, só se tem uma opção: Amar.

Não precisa entender, nem eu me entendo. Só precisa me amar como sou. Me respeitar como sou. Me desejar felicidade porque eu também te desejo toda felicidade do mundo. É aqui que está o amor.

“E se me achar esquisita,
respeite também.
até eu fui obrigada a me respeitar.”

Clarice Lispector

Sobre Páscoa

Venho pensando nos últimos meses sobre a vida. Refletindo sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Em um ano mudei de casa, mudei de religião e venho procurando mudar de pensamentos e atitudes.

E mudar de pensamentos e atitudes não é uma tarefa simples. Pelo contrário, mas venho tentando. Venho tentando não julgar as pessoas, as diferenças. Tentando não generalizar. Não devolver o ódio com mais ódio.

Vejo os cristãos – e não quero generalizar – começando uma guerra contra nós, gays. E sei que não é uma situação atual, pelo contrário. Mas por conta do acesso rápido a informação que temos hoje as discussões se tornam muito mais visíveis.

Vejo pessoas querendo impor pensamentos. Eu não quero impor – luto para não impor minhas opiniões. Afinal elas são minhas. É saudável discutir, conversar respeitando a opinião do outro. Mas impor algo é tão brutal. Tão agressivo.

Por isso quero falar de mim, quero dividir minha opinião, meus sentimentos, minha experiência. E o que eu tenho para compartilhar é sobre quem eu sou. Ninguém quer ensinar homossexualidade para ninguém. Isso não existe. As pessoas não entendem que ser gay, ser hétero, ser bi ou ser transsexual não é uma escolha.

Se uma criança é hétero ela não vai virar gay vendo dois homens gays juntos. O que eu vejo, minha realidade, são diversas crianças gays que sofrem preconceito. Que são rejeitadas por serem diferentes.

E é essa mentalidade que precisa mudar. Não queremos incentivar a homossexualidade. Queremos incentivar o bem estar de quem já é gay. A humanidade não vai se tornar homossexual. A família tradicional não vai acabar se os gays também se casarem. A pequena porcentagem de pessoas que nasce gay vai ter o direito de ser feliz – ou infeliz né? – na vida a dois assim como todo mundo. Mesmos direitos.

Algum heterossexual pode me responder em que momento escolheu ser hétero? Pois bem, eu também não escolhi ser gay. E pode ter certeza que perguntei muito tempo a Deus porque Ele me fez diferente. Ainda não tive essa resposta, mas aprendi a olhar a vida de uma nova maneira. O que aprendi sendo gay?

Aprendi a aceitar as pessoas independe de suas diferenças. Amar as pessoas independente de suas diferenças. E por isso eu sou grato.

Para quem acredita em Jesus, e até para quem não acredita, ele nos trouxe uma mensagem de amor. Uma mensagem onde todos deveriam ser caridosos e buscar ajudar aos próximos. Amar aos próximos. Jesus amou os diferentes, em todo momento a Bíblia mostra isso, e por isso minha opinião, e a que quero dividir com vocês agora, é que nessa Páscoa – um momento que Jesus ressuscita, mostrando que a morte não é o fim. Mostrando que sua mensagem de amor é verdadeira, possamos apenas levar a mensagem de amor, de caridade Dele. Pois Ele nos ama incondicionalmente e é isso que importa.

Jesus morreu por nós. E você tem “morrido” por alguém? Tem doado sua vida, seu tempo para ajudar alguém? Para fazer o bem a alguém?

Orientação sexual não indica caráter. Religião também não. Que o verdadeiro sentido da Páscoa possa fazer nascer em nós pessoas melhores, verdadeiros cristãos. Boa Páscoa e que assim seja.

BBB, Jean Wyllys e Cinzas

E acabou o carnaval e também a quarta-feira de cinzas. Lembro que o padre fazia o sinal da cruz com cinzas da minha testa quando eu frequentava a missa. Simbolizava a reflexão e o inicio da quaresma. E as pessoas se preocupam tanto com o que comer nesse período, mas se esquecem que o verdadeiro sentido da reflexão é se tornar uma pessoa melhor. De preferência o ano todo.

“Não é o que entra pela boca o que contamina o homem, mas o que sai da boca, isto, sim, contamina o homem.” Mateus 15:11.

Enfim, 2013 começou. Pode esperar semana que vem?

Também quero comentar como acho engraçado alguns comentários sobre o BBB ( sim, aquele programa que passa da Globo). É um programa fútil? É um zoológico humano? É perda de tempo? Sim, Sim e Sim.

Mas as pessoas passam tanto tempo falando mal do programa que me diverte. Confesso que eu assisto – vez ou outra – o programa. Cem ave marias para mim! Não espero aprender nada com o programa, apenas quero ver as pessoas lá dentro “vivendo”, “brigando”, “amando”, etc e tal.

Me deixem ser fútil pelo amor.

Todo esse blá blá blá de BBB para dizer que eu simplesmente adoro o Jean Wyllys. O vencedor do BBB 5 e hoje deputado do Rio é uma pessoa inteligente, articulado e um dos políticos mais honestos que já acompanhei. Cada vez mais  mostrando e argumentando contra políticos corruptos e pessoas má intencionadas.

Bora ver um vídeo dele em resposta ao nosso irmão Silas Malafaia.

Eu quero ver todo mundo sendo apedrejado amanhã. Beijos.

Diversidade, Religião e Reflexão

Estou sensível. Existem esses momentos que necessito parar e olhar para dentro de mim. Pois então refleti, fiquei submerso com quem sou e agora meu sentido está à flor da pele.

Segunda-feira ouvi algumas pessoas falando “que nojo” sobre o assunto homossexualidade e me senti mal. Claro, não foi a primeira vez que ouvi isso, mas segunda-feira essas palavras me incomodaram como nunca.

Terça-feira fiquei sabendo da entrevista do Silas Malafaia no programa da Marília Gabriela. Novamente não é a primeira vez que ouço um pastor falando sobre homossexualidade.

O gay passa a vida toda ouvido isso. Lutando contra uma orientação sexual condenada por um Deus. Ouvindo piadas na escola, no trabalho e em todos os lugares que frequenta. A sociedade é machista. Ser diferente machuca. Amar diferente machuca.

Quero dizer que eu não escolhi minha orientação sexual. Ninguém escolhe. O tesão, o amor não se controla. Um hétero não olha para alguém do mesmo sexo e diz: hoje eu vou sentir tesão por você. Ninguém aprende a ser hétero ou homossexual por exemplos, por vontades. Se pudéssemos escolher quem escolheria o caminho mais difícil?

Não vou publicar o vídeo da entrevista aqui, não quero dividir algo que me agride e que me faz mal. Quer compartilhar o que me faz bem, sendo assim quero divulgar o texto de um grande amigo e irmão sobre o assunto:

“Eu me sinto particularmente religioso, não porque eu viva regras definidas por qualquer um que seja, mas porque me faz bem acreditar em um Deus que se denomina a própria expressão do amor.
Tenho AMIGOS: evangélicos, espíritas, do umbanda, do candomblé, ateus, testemunhas de Jeová, mórmons, pastores, pais de santo, médium, budista, branco, negro, japonês, loiro, índio, heterossexual, homossexual, judeu, bruxo e confesso que estou procurando um amigo muçulmano… e são todos amados pelo que eles são: AMIGOS.

Meu facebook foi invadido por mensagens de ódio, mágoas e rancor desde ontem, quando foi exibida a entrevista do Pastor Silas Malafaia no programa da Gabi e embora eu me denomine evangélico (e meus amigos sabem o quando eu gosto de um rótulo), não vi amor nas palavras do Pastor Silas e nem da apresentadora Gabi, o que eu vi, foram pessoas que estavam dispostas a impor seus pensamentos e ideologias, independente do quanto isso possa agredir ou machucar os outros, então eu não vi Deus.

Não vi Deus nas mensagens que meus amigos evangélicos postaram.
Não vi Deus nas mensagens que meus amigos gays postaram.
Não vi Deus nas mensagens que meus amigos ateus postaram (contraditório!?).
Não vi Deus porque eu não vi aquilo que eu vivêncio todos os dias através da minha religião, não vi AMOR.

Eu sou fanático pelo diferente, pelo novo, pelo inexplorado e quando descubro alguém de alguma religião diferente, faço questão de conversar a respeito e descobrir mais… porque aquilo que é desconhecido causa medo, e eu não quero viver com medo.

Somos todos iguais e procuramos sempre a mesma coisa.
Porque a felicidade alheia incomoda?
Porque a ideologia alheia incomoda?
Porque eu preciso impor minha religião na parada Gay?
Porque eu preciso casar com alguém do mesmo sexo dentro de uma igreja católica?

A individualidade é o que temos de mais pessoal, se perdermos isso, teremos o que? seremos o que? viviremos pra que?

Eu sempre me lembro de uma frase que minha professora Malú da primeira série me ensinou: “O que seria do rosa se todos gostassem do azul?”

Quero num futuro próximo celebrar a diversidade, assim como ela é: DIFERENTE!”

Éllerson Freitas

O texto me emocionou muito e veio de encontro com minhas reflexões . Além disso  vi dois vídeos argumentando contra Silas Malafaia e faço questão de finalizar o post com eles. Ambos os vídeos foram postados no blog do Tony Goes.

( via http://tonygoes.blogspot.com.br/2013/02/derrota-em-cristo.html )

(via http://tonygoes.blogspot.com.br/2013/02/tome-isto-e-mais-isto.html)

Grande abraço.