Drogas

Cheguei em casa repetindo incessantemente que o erro não iria se repetir. Todo viciado diz que é a última vez, mas nunca é.

Mas eu queria acreditar no mantra que em voz alta dizia: foi a última vez, foi a última vez. Eu acreditava naquilo. Eu precisava acreditar. Quando o vício me consome, irresistíveis forças me envolvem, cego-me e esqueço de todas as consequências.

Já era dia, com a luz do Sol entrando pela janela do banheiro tirei a roupa. Sentia como se cada parte do meu corpo estivesse suja. Desejavam um banho, mas sabia que a água não limparia as marcas dos prazeres que provei naquela madrugada.

Podia ser álcool, outra Droga qualquer, mas meu vício era o sexo. E a água não poderia me salvar das consequências. Nada poderia.

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Convite

O olhar dele era um convite. Quando a gente precisa qualquer detalhe é um convite. Eu podia sentir o cheiro do sexo naquele lugar, o prazer era meu guia, era energia que me envolvia. Certo ou errado, procurando uma mentira nova por alguns minutos de prazer.

O olhar dele era desejo. Quando a gente precisa qualquer detalhe é desejo. Eu dizia que não, mas meu corpo queria estar ali. Eu pensava: só mais hoje, mas sabia que não era o fim.

O olhar dele era abrigo. O meu corpo era vício, minha alma culpa. Duelo eterno, risco, perigo, luta. Quando a gente precisa qualquer detalhe é abrigo e só depois do gozo encontro o suicídio.

I Miss You

Eu tinha pouco mais de quinze anos. Talvez dezesseis. Lembro que ele foi a primeira pessoa com quem conversei mais do que alguns minutos. A sala de bate-papo era um mundo novo, cada pessoa ali era uma esperança de não estar sozinho.

Maurício era seu nome. Talvez só um apelido. Tínhamos medo de sentir. Medo do tesão, da vida. Ele foi de alguma forma meu primeiro amigo gay. Mesmo que virtual. Mesmo que do outro lado do país. Mesmo que tenha se perdido com o tempo.

Hoje ouvi na rádio a música que me fez lembrar dele. Aquela que ele me mandou em uma madrugada de 2004 e me fez lembrar de como eu já tive medo de tudo que a vida guardava para mim. Graças a Deus a gente amadurece, muda, perde o medo de buscar ser feliz.

Porque eu cansei de esperar e comecei a viver! Espero que você também.

Quinze

Fiquei observando enquanto ele se despia. Para mim seu corpo era poesia. Suas pernas, seus pelos, seu sorriso. Em um momento ele olhou para mim: Não consegui desviar o olhar.
Eu era magro. Corpo de menino ainda, desengonçado, crescendo. Quinze anos. Eramos os únicos de sunga: Não entendia porque todos os outros garotos usavam bermudas para entrar na cachoeira. Mas ele tinha corpo para exibir, tinha tantos pelos, tantos músculos que eu não conseguia não olhar.
Naquele momento eu sabia que existia algo de errado. Diferente. Seria o diabo me pregando uma peça? Foi o primeiro homem para quem eu olhei.
Nada daquilo fazia sentido. Ainda não faz.