Sou nojo

‎Sou o nojo.
A vergonha, o pecado.
Antinatural, um filho renegado.
Causa do mal.
Fim da família.
Ameaça mundial e da harmonia.
Sou o livre-arbítrio às avessas.
De um Deus do amor e perfeição.
Um destino sem escolhas.
Sou o amor na contramão.
Uma vida sem sentido.
Um irmão sem salvação.
Sinto o ódio todo dia.
Na piada e na humilhação.
Mas sou mais do que parece.
Observe e pode ver.
Mas de todo bem que faço.
Sou só nojo para você.
Eu sou dor e sou tristeza.
Infeliz e solitário.
Pouco já me importa agora.
Pois ser gay é meu calvário.

Às vezes

Às vezes tenho nojo de mim,
nojo do meu corpo cheirando sexo.
Às vezes – tantas vezes – prometo que é o fim.
Tenho medo dos meus olhos que procuram
Da minha boca que sorri
Do tesão que me trai
Às vezes tenho medo
Outras vezes só desejo
pelo corpo de outro
Só o corpo.
E depois do gozo fica esse nojo
Às vezes do corpo, outras vezes de mim.

Risco

Olhar, sorriso, sinal.
É jogo sem palavras.
Prazer sem toque.
Gozo mental.

Olhar, sorriso, sinal.
Você me segue e me escondo.
Em outra esquina te encontro.
Me exibo, gozamos e tchau.

Prazer sem nomes,
desencontro de almas.
Sorriso esconde.
Desejo se espalha.

Mãos, paus e boca.
É jogo, é toque e perigo.
Nós dois na noite.
É gozo. É risco.