O Discurso e o Rei


o-grito

“Porque há o direito ao grito, então eu grito.” Clarice Lispector

Não sou bom para falar em público, porém estou procurando melhorar minhas habilidades de oratória  Aliás, o medo de falar em público é um dos medos mais comuns nas pessoas, logo sou mais um na grande estatística.

Acredito que só podemos melhorar em algo praticando. Se o problema é me expor então devo conseguir uma forma de praticar essa exposição para me acostumar e aprender a lidar com ela.

Uma amiga indicou o filme o Discurso do Rei que é de 2010 e na época eu não tive interesse em assistir. Olha eu julgando o livro pela capa, no caso um filme pelo nome né? Hoje o filme está completamente ligado com o momento que estou vivendo: superar o medo de falar em público. Talvez há dois anos eu não tivesse a mesma visão do filme. Com certeza não.

Vi o filme como “lição de casa” e me apaixonei pela história. Começa apresentando o Príncipe Albert que é gago e precisa ler os discursos do seu pai, o Rei Jorge V, para a população. Porém ele não consegue realizar tal tarefa.

Conhecemos então a esposa do Príncipe Albert que procura um médico que possa ajudar o marido. Depois de muitas tentativas ela conhece o terapeuta Lionel Logue e leva o marido para se tratar com ele. Com o tempo percebemos a melhora do “Príncipe Gago” enquanto os dois homens se tornam amigos.

Durante o filme vamos conhecendo mais sobre a família de ambos, a história e sonhos dos dois novos amigos. Com a morte do rei o irmão mais velho do Príncipe Albert é coroado novo rei, porém ele se mostra irresponsável e por conta de um relacionamento com uma mulher divorciada ele acaba renunciando o trono para não criar um escândalo e preservar seu relacionamento.

Príncipe Albert é então coroado o novo rei: ele passa a ser chamado como Rei Jorge VI. Porém o grande medo de não conseguir se comunicar deixa ele em dúvida se tem condições de ser um bom rei. O rei é a voz do povo, porém como ele poderia expressar a voz do povo sendo gago e com tanta dificuldade de falar em público?

O filme termina com ele sendo obrigado a fazer um discurso para informar as pessoas sobre o início da segunda guerra mundial. É a grande prova que a terapia que ele fez junto com seu amigo Lionel teve resultado. E se ele não for capaz de ler um discurso será que o povo não se revoltaria pedindo para seu irmão mais velho retornar para o trono?

O Discurso do Rei é fantástico, fica claro como a comunicação é importante e que até mesmo um rei teve medo de não conseguir expressar o que devia. O Discurso do Rei ganhou o Oscar de melhor filme de 2011. É uma história leve e interessante que mostra que a maioria das vezes o nosso inimigo somos nós mesmos e que, com muita determinação, podemos nos superar. Filme recomendado com certeza.

E uma das personagens que me chamou muita atenção é a Elizabeth, esposa do Príncipe Albert, que se empenha, sempre com amor e gentiliza, para ajudar o marido. Bem, o melhor de tudo é sabe que o filme é baseado em uma história real. É importante a gente buscar a nossa voz, precisamos saber expressar quem somos.

Eu estou tentando e vocês?

Beijos e abraços.

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Lincoln

Nunca fui um bom aluno de história no colegial. E como na faculdade fui fazer análise de sistemas não é de espantar que história não seja meu forte. ( nem português né? Aloka ) Hoje me arrependo de não ter prestado devida atenção as aulas de história e tantas outras disciplinas que na época não tinham tanta importância para mim. Parece que no colegial temos uma pressa tamanha de crescer e não aproveitamos aquele momento. Ou simplesmente não tenhamos maturidade suficiente para entender que tudo está conectado. Sei lá.

Hoje fui ver o filme Lincoln, o grande favorito do Oscar, e confesso que mais uma vez – e cada vez mais – me apaixono por história. Adorei o filme, mesmo me perdendo muitas vezes em seus diálogos rápidos e suas referências a história dos Estados Unidos da América. Mas o filme cumpre muito bem seu papel. Me fez conhecer sobre o tal do Abraham Lincoln. O filme se resume no presidente buscando aprovar a emenda da abolição da escravidão para o país. Enquanto isso quatro anos de guerra civil se estendem entre os estados do norte contra os estados do sul.

A guerra, também conhecida como Guerra de Secessão, tinha como principal objetivo a abolição. Enquanto o norte era a favor da abolição – ou nem tanto, afinal ficou bem claro que eles queriam a abolição para finalizar com a guerra – o sul era contra, pois dependia muito mais do trabalho escravo para movimentar a economia.

O filme narra o momento final da guerra e como Lincoln busca votos no congresso para aprovar a 13ª emenda, assim abolir com a escravidão e acabar com a guerra. Para isso é preciso comprar votos. Daí vem minha primeira reflexão com o filme: a corrupção é usada para algo bom. Mas o bem e o bom é algo relativo – pelo menos naquela época a escravidão era “natural”.

A segunda reflexão é sobre os argumentos contra a abolição: a Bíblia, a religião. Em 1865, há quase 150 anos, escravidão e racismo eram defendidos e considerados algo normal, inclusive com argumentos bíblicos. E olha que nem é tanto tempo assim. Se nesse período o voto dos negros era impensável – e das mulheres também, hoje termos um presidente negro nos EUA é de se admirar a nossa evolução como seres humanos. E apesar de me considerar espiritualizado e respeitar todas as religiões e a Bíblica, acho fundamental nos questionarmos como as pessoas usam os argumentos bíblicos – muitas vezes contraditórios na própria Bíblia – de acordo com seus interesses.

A Bíblia não deveria causar tanto ódio, opressão e preconceito. Mas o preconceito ainda existe, claro. Racismo, machismo e tantas outras formas de intolerância estão aí para comprovar. Muitas vezes velado, mas ainda sim presente. E a Bíblia serve de base para as pessoas se agredirem.

O filme me mostrou um pouco mais sobre a escravidão e o preconceito de um outro país. E o que fazer com os escravos depois da liberdade? Essa parte da história a gente conhece, infelizmente, e  reflete também na sociedade brasileira até hoje.

Conhecer o passado é fantástico. Entender as personagens que lutaram, se sacrificaram e buscaram mudar o mundo para melhor é inspirador. Encorajador. Aloka querendo ser a Lincoln Gay. Quem quer vender votos aí?

A Rede Social

Aproveitei o primeiro dia do ano para assistir a Rede Social. O filme é de 2010 e senão me engano passou no começo de 2011 aqui em Campinas. Queria ver o filme na época, mas por algum motivo acabou passando. Como uma das promessas para o ano novo é colocar em dia filmes e livros que quero/preciso ver/ler nada melhor que começar colocando em prática.

O filme conta a história da criação do facebook e confesso que achei o começo do filme chato. Diálogos rápidos e confusos demais para minha cabeça. Será um teste pra saber quem tem QI pra continuar vendo o filme?! Aloka… Mas logo depois da primeira cena o filme começa a ficar ágil e interessante.Não sei ao certo quanto de ficção tem o filme, mas Mark Zuckerberg parece ser o cara certo no lugar certo. Fez as escolhas necessárias para alcançar seus objetivos e se tornou um bilionário. Para tanto passou seu melhor amigo e sócio para trás além de “roubar” a ideia do facebook de três outros alunos que o contrataram para criar uma rede social para eles em Harvard.

O filme me fez pensar sobre confiança. O quanto devemos confiar em alguém? E o que devemos fazer para chegar ao nosso objetivo? Recomendo o filme e a reflexão que ele deixa. Além disso adorei a trilha sonora e conhecer mais sobre o facebook.

Já coloquei na minha lista de livros para 2013 o Bilionários por Acaso, de Ben Mezrich, que inspirou o filme, além do livro Efeito Facebook, de David Kirkpatrick, que baseado em fatos e notícias conta a história de um ponto de vista verídico e informativo.

Gostei da afirmação feita pela personagem Marylin Delpy, uma das advogadas:

“Mark Zuckerberg não é um babaca, mas se esforça muito em parecer um.”

No fim do filme fiquei com a dúvida: Mark Zuckerberg é um vilão?

Para terminar quero deixar a música Creep, que desde a primeira vez que vi o trailer do filme, em 2010,  me interessou e deixou curioso para assistir A Rede Social.

Feliz 2013!!