Onde você guarda o seu preconceito?

Hoje, dia 17/05, é o dia internacional contra a homofobia. Aproveitando o assunto quero relembrar aqui um dos meus textos no site A Vida Secreta. O texto é de 2009, mas o assunto continua atual. 

Ter direito a vivenciar e manifestar a própria sexualidade (homo, bi ou hetero) é apenas um dos muitos direitos constitucionais do cidadão, mas… Você já parou para refletir como isso ainda é tabu para muitos? E você, já parou para pensar no assunto?

 

Ser ou Ser?!

“Eu vim recrutar vocês!”

Quem assistiu o filme Milk com certeza lembra desse bordão utilizado por Harvey Milk. O filme conta a história desse homem real que me fascinou. Ele foi um executivo que depois dos 40 anos largou sua vida em Nova Iorque para viver em São Francisco com o namorado e se tornar então o primeiro homossexual declarado a ser eleito para um cargo público na Califórnia.

O filme é brilhante e consegue mostrar a luta dos gays por seus direitos nos anos 70. Um dos muitos momentos que me chamaram a atenção no filme é um no qual Milk diz que os gays precisam “sair do armário”, pois se as pessoas souberem que conhecem, convivem e amam um gay então elas seriam contra a violência contra os homossexuais.

Achei muito interessante e ambígua essa questão, afinal ao mesmo tempo que nós gays – e incluo sempre na palavra gay toda a comunidade LGBT – estamos nos protegendo da sociedade quando nos camuflamos, estamos também aumentando o preconceito e deixando de mostrar para as pessoas que somos gays e não existe nada de errado nisso.

Não é minha intenção me aprofundar no filme, com certeza são muitos os assuntos para serem discutidos e refletidos. Independente da (homos)sexualidade Milk é um filme sobre política e sobre a busca pelos direitos humanos, uma luta pela igualdade. Fica aqui para quem ainda não assistiu a indicação, “Milk, a voz da igualdade”, vale a pena ver e rever.

O que eu posso fazer hoje? Cabe a cada um, hétero ou homossexual (assumido ou não), pensar no que se pode fazer hoje dentro dos limites de cada um para ajudar na luta contra o preconceito.

Um amigo disse que fez a seguinte reflexão com um grupo de jovens católicos: “Seja Gay por um dia!”. Achei a reflexão genial, como ele mesmo disse nós gays passamos anos nos obrigando a pensar que somos héteros, por que um hétero não poderia passar um dia pensando como se fosse gay? Como você viveria se fosse homossexual? Se você acordasse um dia sentindo atração sexual e sentimental por pessoas do mesmo sexo que você? Como você gostaria que as pessoas te tratassem? Afinal até hoje não sabemos quais motivos levam uma pessoa a ser hétero ou ser gay, mas duas certezas posso dizer aqui, ser homossexual não é opção, não escolhemos gostar de homens ou de mulheres. Existe uma orientação sexual e não uma opção, eu não optei ser homossexual e nem você optou ser hétero, certo? Ninguém me perguntou quando era criança: “Você escolhe ser viadinho ou escolhe pegar a mulherada?” Não mesmo, risos.

Outra certeza é de que homossexualidade não é doença, portanto é errado falar homossexualismo, o certo é homossexualidade, pois o sufixo ismo indica doença. Se homossexualidade não é doença não deve ser procurada uma cura e nem um tratamento. Muito menos um exorcista para expulsar um espirito maligno do corpo, honey, definitivamente não, risos.

Lendo o comentário de uma amiga entrei no site do programa “Amor e Sexo” e pude ver o vídeo onde um pai pergunta para psicologa se existe uma maneira de reverter a homossexualidade do filho. Infelizmente as pessoas ainda pensam igual a esse pai, se sentem culpadas por possuir um filho gay. Pode ser difícil descobrir que seu filho é gay, mas lembrem-se que mais difícil é para seu filho se descobrir gay em um mundo onde ainda existe tanta discriminação. Como um outro amigo diz, é preciso ser muito macho para assumir sua sexualidade.

Uma dica para conviver bem com um filho ou amigo gay é agir com naturalidade e sinceridade. Se você não sabe o que fazer procure ajuda, muitos pais já passaram por isso e não é vergonhoso querer entender melhor a sexualidade do seu filho. A Internet facilita muita coisa hoje, existe muita informação e é importante que ela chegue para as pessoas que precisam dela.

A homofobia é uma das muitas formas do preconceito. Ninguém escolhe ser hétero ou ser gay, porém nós somos responsáveis por mudar a sociedade e a nossa maneira de pensar. Lembrando um comercial que assisti repito a pergunta, onde você guarda o seu preconceito?

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8 pensamentos sobre “Onde você guarda o seu preconceito?

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  2. Pois é Daniel, acho que o que podemos fazer é esclarecer, é tentar com nosso exemplo e opiniões mudar um pouco de todo esse ranço que está aí há séculos e séculos. Acho que estamos no começo de grandes transformações, mesmo que ache que elas não virão rápidas, mas acho que o pontapé inicial foi dado.

    Beijocas

  3. Acho que se as pessoas começassem a sair do armário em massa, realmente, acho que haveria uma grande mudança na mente das pessoas ao saberem que somos muitos, e estamos em toda parte. Mas acho que a violência poderia aumentar também, sei lá.
    E não é fácil pra ninguém assumir, mesmo que o mundo inteiro esteja se assumindo, você lidar com o preconceito dentro de casa é complicado.

    • Realmente não é fácil sair do armário. Cada pessoa tem a hora de sair e tem gente que passa a vida toda dentro dele. Aliás o Milk é um bom exemplo, passou 40 anos dentro do armário, até resolver ir pra São Francisco, quando ele se transforma. O mais importante é a auto-aceitação. Quando você se aceita do jeito que é o que resto do mundo pensa de você é bobagem. Dentro ou fora do armário.
      Bem-vindo e beijão.

  4. Acho que existe uma super exaltação do tema em todos os seus textos, subtextos, declarações, cartas à nação, comissões disso e daquilo. Há exageros em todos os lados de todos os balcões e muitos, mas muitos espertos ganhando fama, grana e espaço a partir da “defesa” de grupos. Homossexuais não precisam ser defendidos. Heteros não precisam ser protegidos.

    • Acho importante falar sobre o tema. É a minha vida, a minha luta íntima. Os homossexuais são agredidos, desrespeitados e até mortos por serem homossexuais. As pessoas ainda são preconceituosas. Meus textos são parte de quem sou. Ser gay não me define, mas faz parte de mim. Obrigado pela opinião e pela visita. Abraço.

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