Sobre Páscoa

Venho pensando nos últimos meses sobre a vida. Refletindo sobre quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Em um ano mudei de casa, mudei de religião e venho procurando mudar de pensamentos e atitudes.

E mudar de pensamentos e atitudes não é uma tarefa simples. Pelo contrário, mas venho tentando. Venho tentando não julgar as pessoas, as diferenças. Tentando não generalizar. Não devolver o ódio com mais ódio.

Vejo os cristãos – e não quero generalizar – começando uma guerra contra nós, gays. E sei que não é uma situação atual, pelo contrário. Mas por conta do acesso rápido a informação que temos hoje as discussões se tornam muito mais visíveis.

Vejo pessoas querendo impor pensamentos. Eu não quero impor – luto para não impor minhas opiniões. Afinal elas são minhas. É saudável discutir, conversar respeitando a opinião do outro. Mas impor algo é tão brutal. Tão agressivo.

Por isso quero falar de mim, quero dividir minha opinião, meus sentimentos, minha experiência. E o que eu tenho para compartilhar é sobre quem eu sou. Ninguém quer ensinar homossexualidade para ninguém. Isso não existe. As pessoas não entendem que ser gay, ser hétero, ser bi ou ser transsexual não é uma escolha.

Se uma criança é hétero ela não vai virar gay vendo dois homens gays juntos. O que eu vejo, minha realidade, são diversas crianças gays que sofrem preconceito. Que são rejeitadas por serem diferentes.

E é essa mentalidade que precisa mudar. Não queremos incentivar a homossexualidade. Queremos incentivar o bem estar de quem já é gay. A humanidade não vai se tornar homossexual. A família tradicional não vai acabar se os gays também se casarem. A pequena porcentagem de pessoas que nasce gay vai ter o direito de ser feliz – ou infeliz né? – na vida a dois assim como todo mundo. Mesmos direitos.

Algum heterossexual pode me responder em que momento escolheu ser hétero? Pois bem, eu também não escolhi ser gay. E pode ter certeza que perguntei muito tempo a Deus porque Ele me fez diferente. Ainda não tive essa resposta, mas aprendi a olhar a vida de uma nova maneira. O que aprendi sendo gay?

Aprendi a aceitar as pessoas independe de suas diferenças. Amar as pessoas independente de suas diferenças. E por isso eu sou grato.

Para quem acredita em Jesus, e até para quem não acredita, ele nos trouxe uma mensagem de amor. Uma mensagem onde todos deveriam ser caridosos e buscar ajudar aos próximos. Amar aos próximos. Jesus amou os diferentes, em todo momento a Bíblia mostra isso, e por isso minha opinião, e a que quero dividir com vocês agora, é que nessa Páscoa – um momento que Jesus ressuscita, mostrando que a morte não é o fim. Mostrando que sua mensagem de amor é verdadeira, possamos apenas levar a mensagem de amor, de caridade Dele. Pois Ele nos ama incondicionalmente e é isso que importa.

Jesus morreu por nós. E você tem “morrido” por alguém? Tem doado sua vida, seu tempo para ajudar alguém? Para fazer o bem a alguém?

Orientação sexual não indica caráter. Religião também não. Que o verdadeiro sentido da Páscoa possa fazer nascer em nós pessoas melhores, verdadeiros cristãos. Boa Páscoa e que assim seja.

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